quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Sonho não acabou...

ele só não vai ser realizado no Brasil, no país do futebol.
Hoje acordei com um cansaço na alma, um misto de tristeza, desânimo e também de vergonha, clima de velório sabe? Mas a vergonha deixei para lá, afinal de contas é futebol e só um ganha, deixo a vergonha pras mazelas do país que precisam ser consertadas pelos governantes.
SETE gols é um placar jamais imaginado por mim e acho que por qualquer um de nós que esperávamos ansiosamente pelo hexa nessa copa.
Não tenho capacidade técnica para julgar o Felipão ou qualquer jogador da nossa seleção que representou o Brasil em campo. Eles foram escolhidos para estar lá, e só por isso já são grandes campeões. Mas depois do resultado de ontem, são duzentos milhões de técnicos julgando, criticando, dizendo como deveria ter sido, onde o Brasil errou, o que faltou, enfim...aconteceu, e não foi dessa vez.
Como toda situação na nossa vida, feliz ou triste, essa derrota de ontem deixa suas lições: é preciso aprender com elas.
Perder é triste, perder de goleada é "pra acabar", em casa é pior ainda e na reta final...nem sei o que dizer! 
Choramos, sofremos, xingamos por dentro, por alguns segundos quisemos não acreditar no que víamos, mas era verdade e aconteceu! O choro das crianças no Mineirão (e das outras milhares que estavam nas ruas ou em suas casas) corta o coração, assisti a entrevista de um garotinho e o sentimento dele era do "fim do mundo", as crianças não tem essa noção do tempo e mal sabem que 2018 já está logo ali, mas acho importante que essas crianças entendam as lições de uma derrota. 
Só perde um título quem concorre a ele. E ter essa ideia de participar, concorrer, trabalhar em equipe é uma das grandes lições que devemos tirar dessa copa.
Só ganha um título quem se prepara para isso. Disciplina, planejamento, educação, organização, preparo físico, psicológico, força de vontade são os principais pilares de quem quer alcançar um sonho, seja ele qual for.
Sofrer na derrota é inevitável, assim como comemorar na vitória também é. E as emoções afloram, na vitória ou na derrota. É preciso saber lidar com elas. Se sofremos é porque acreditamos que aquilo era possível, e continuar acreditando é a força que sustenta nesse momento de fraqueza.
Poderia falar ainda das lições que tiramos do papel de um líder, mas como disse antes quem sou eu para julgar? O Felipão seguiu suas convicções, certo ou errado ele tomou suas decisões e o caminho que imaginou ser o melhor. Mas não foi dessa vez.
Poderia falar também das falhas enormes da arbitragem da FIFA, é inadmissível a falta de padrão exposta nesta copa.
Esses meninos que nos representaram nessa copa, são vencedores da vida. O técnico perdeu dois familiares na semana da estréia, o Marcelo perdeu seu avô que foi seu maior incentivador no futebol, o Oscar viveu as emoções de ser pai no meio desse tumulto todo da copa do mundo, o Fred foi massacrado pela imprensa e nas redes sociais por não ter tido seu melhor desempenho, o Neymar sofreu uma lesão que atingiu não só a sua vértebra lombar mas o emocional de toda a equipe. 
Sim, eu sei que são situações cotidianas que acontecem com qualquer um, mas esses meninos passaram por tudo isso num momento em que lutavam não só pelo sonho deles, mas pelo sonho de duzentos milhões. A pressão é grande e não deve ter sido nada fácil.
Acho ridículo as pessoas que politizaram a copa mesmo antes dela começar, e acho mais ridículo ainda elas fazerem isso porque o Brasil perdeu a vaga pra final. Como se a derrota do Brasil fosse melhorar a saúde, educação, economia. Não, não vai melhorar!
Mas se podemos melhorar alguma coisa, que seja se espelhando em quem nos derrotou, que saibamos ter essa lição e aprender com ela. Não entendo nada de futebol, mas a federação alemã de futebol, revolucionou esse mercado no país. Os clubes criaram academias de futebol para jovens, em parcerias com as escolas criaram centros de treinamento, os gastos de todos os clubes passaram a ser monitorados na cultura de não se gastar mais que ganha, técnicos foram buscar conhecimento nos países que a cultura do futebol era mais forte, depois disso tudo sediaram uma copa e resgataram o amor do alemão pelo futebol.
Planejamento e organização traçaram o caminho vitorioso da Alemanha no futebol.
É preciso repensar o futebol do país. É fato que criamos jogadores brilhantes e que bem cedo vão brilhar no futebol de outros países, mas a maioria deles consegue isso a duras penas, com o esforço da família, jogando descalço, caminhando quilômetros para chegarem aos centros de treinamento. A história de vida deles em sua maioria foi sofrida demais. Mas graças a Deus e a força de vontade de cada um deles foi que eles chegaram lá.
Que bom seria se a próxima geração do futebol tivesse essa estruturação, esse planejamento e toda uma base formadora para esses jovens brilharem, brilharem do Brasil para o mundo, e não o inverso.
Eu queria muito que o Brasil ganhasse pelo meu sobrinho, porque ele estava animadíssimo pela copa. Ele ficou triste que o Brasil começou tomando gols, mas logo depois resolveu torcer pela Alemanha, aí a prova de que ele torceu mesmo foi pelo bom futebol. E ter nas crianças o amor pelo esporte é o maior legado que a copa poderia deixar para esses pequenos. E por isso, valeu.
Valeu seleção, que vocês possam ter o sonho do hexa realizado, dentro ou fora de campo.
Valeu Julio Cesar, valeu David Luiz, vocês foram gigantes nessa copa e merecem não só a estrela do hexa, mas a estrela maior que a vida puder proporcionar a vocês.
Que possamos chegar ao terceiro lugar! E se não der, valeu mesmo assim! Vocês chegaram até onde foi possível! Que tenhamos quatro anos para melhorar e correr atrás do hexa.



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