sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

E eu finjo ter paciência

Nunca fui uma pessoa simpática, às vezes antipática, mas sempre empática. E eu finjo ter paciência com aquelas pessoas que forçam simpatia, principalmente quando os interesses são sociais ou financeiros.
Eu finjo ter paciência quando explico a mesma coisa um trilhão de vezes para as mesmas pessoas, não há explicação, tradução, desenho ou tecla sap que faça o ser humano entender o que ele não se esforça para entender.
Eu finjo (muito) ter paciência para a falta de senso coletivo das pessoas, principalmente em ambientes comuns como transporte público, condomínios, shoppings.
Eu finjo ter paciência com as pessoas que dizem uma coisa mas fazem outra totalmente oposta.
Eu finjo ter paciência com essa modinha de que dentro de uma relação, sair, trair, voltar e dizer que errou é tão  simples como errar a marca do molho de tomate.
Eu finjo ter paciência com a estagnação de algumas pessoas em determinadas posições corporativas.
Eu finjo ter paciência com falsas promessas e meias verdades. E finjo acreditar também.
Eu finjo ter paciência com quem acha que um item de marca eleva a pessoa a um status melhor.
Eu finjo ter paciência com livros, filmes, novelas onde tudo é lindo, fácil e simples.
Eu finjo ter paciência com minha conta bancária, com o sinal 3G da Tim, com impunidade, com injustiça.
E eu finjo que fui sincera nesse texto pois a falta de paciência é tanta que não é mais possível fingir.
Só não preciso fingir que sou a única nessa situação. Pelo que tenho visto e vivido, esse é um dos males dos trinta anos.
Que venham os quarenta, vou fingir que estou esperando por eles.